Aquilo foi um baque para todos nós.
Inacreditavelmente, Suzanna suportou bem a perda de seu guardião.
Samara, a garota que observava a confusão toda do parapeito do prédio, nos ofereceu sua casa para passarmos o resto da noite e, de bom grado, aceitamos. Conversamos um pouco sobre a morte de Adolfo e de tudo o que vinha acontecendo e tínhamos receio do que ainda poderia acontecer, mas a fome e o cansaço me fizeram deixar as preocupações para quando o dia estivesse claro.
Talvez, tudo o que eu precisasse era apenas dormir um pouco. Dormir e descobrir que, ao acordar, toda aquela loucura não havia passado de um pesadelo.
Infelizmente, poucas horas depois, ter a visão da bela Nadja me acordando, acabou com minhas esperanças...não era um pesadelo!
Quando cheguei no andar de baixo, fui surpreendido por uma cena bizarra. Lucas e Leanderson estavam revistando um desconhecido.
Um cara gordinho e todo suado, num macacão de mecânico, todo sujo de graxa. Eles me disseram que ele havia batido à porta pedindo socorro e eles o deixaram entrar.
Não fiquei muito confortável com isso. Acho muito estranho que ele tenha conseguido chegar até a casa da Samara sem ter sido ferido. E como ele passou por aquele mar de zumbis? Ele não me passa muita confiança e a maneira como fala com a gente, como se fosse o dono da situação, o líder do grupo, não me agrada.
Ele contou uma história sobre ele e o irmão terem vindo atender um chamado de um cara cujo carro deu problema e o irmão foi atacado.
Olha, pra quem perdeu o irmão praquelas coisas ele tá muito tranquilo. Pelo jeito dele, eu acho que ele deve ter deixado o irmão pra trás, pra que ele conseguisse fugir.
Nós, que nem nos conhecíamos antes da festa na casa do David estávamos mais tristes pela morte do Adolfo que ele pela morte do irmão. Muito estranho.
Mas não tivemos muito tempo pra verificar a veracidade da história. Pouco depois, ouvimos barulho de caminhões blindados e helicópteros...os militares estavam de volta.
E pelo que sintonizaram no rádio, parece que vieram atrás de nós.
Samara nos mostrou um porão "secreto" tipo aqueles que se vê em filmes de suspense e todos descemos para nos esconder.
A porta da casa se abriu e ouvimos vários passos sobre nossas cabeças. Uma voz grave dava ordens aos soldados que revistavam os cômodos da casa de Samara em busca de sua "caça".
Todos os passos pareciam ter ido em direção ao terraço, então levantei a porta do porão e dei sinal para que os outros subissem para tentarmos fugir.
Lucas e Leanderson vieram primeiro e foram em direção à porta, o gordinho vinha logo em seguida e não demorou para que desse razão a meus instintos...deixou cair uma de suas ferramentas escada abaixo, a merda estava feita!
Os militares começaram a descer, o gordinho e Gabriela saíram e não vi para onde foram, dei sinal para que Samara, Suzanna e Joanna continuassem no porão e corri para o banheiro para me esconder e tentar surpreender o chefe da operação. Vi Lucas e Leanderson abrirem a porta e sairem de casa.
Em seguida, começaram os tiros. Fuzis, pistolas, a calibre 12 que estava com Lucas...helicópteros...o som ensurdecedor do caos tomou conta do ambiente e depois do que pareceu ter levado horas, finalmente cessou.
O silêncio só foi quebrado pelas botas dos militares passando por mim no corredor e pelos pigarros do General, entre uma ordem e outra.
Nesse momento, um turbilhão de pensamentos invadiu minha mente. Eu tinha medo de ser encontrado, medo de ter perdido mais duas pessoas de nosso grupo e medo de que encontrassem as meninas no porão.
Quando os militares, enfim, foram embora, fui ao encontro das meninas no porão e logo depois fomos para a rua.
Parecia uma cena daquelas em que se vê nos noticiários quando mostram guerras do outro lado do mundo. Eram carros destruídos, cápsulas de balas para tudo quando é lado e sangue, muito sangue.
Procuramos por Lucas e Leanderson...não encontramos. Nenhum corpo jazia no local.
O que nos deu um alento de esperança, foi que também não víamos o carro-forte em lugar algum. Com sorte, nossos dois companheiros poderiam ter conseguido chegar até ele e fugido.
Agora, nos restava esperar e torcer para que eles realmente tivessem conseguido fugir e, principalmente, que continuassem vivos!
quinta-feira, 29 de março de 2012
domingo, 11 de março de 2012
O Primeiro Dia do Fim do Mundo - Parte 5
Aquela declaração havia nos deixado apreensivos. Mas antes que pudéssemos avaliar se Gabriela tinha sido ferida, ela se antecipou, abriu os armários da lavanderia e num ato de desespero, começou a passar desinfetante no rosto.
Ela ficou um pouco tonta, provavelmente por causa do forte cheiro de desinfetante, mas não parecia estar mal.
Apesar da preocupação, resolvemos seguir em frente, rumo ao primeiro andar.
Lá, como Adolfo nos informara anteriormente, moravam um casal de velhinhos.
Sinceramente, eu não tinha intenção nenhuma de salvá-los se estivessem em casa. Eu só queria saber se a porta estava trancada. Se estivessem vivos ou não, não faria diferença. Aliás, acho que só teríamos problemas se eles viessem conosco, com o mundo louco desse jeito.
Giramos a maçaneta e a porta estava destrancada. Entramos na sala e vimos a silhueta de um homem no corredor da casa. Adolfo chamou seu vizinho, mas não houve resposta, ele apenas entrou vagarosamente no cômodo a sua esquerda.
Lucas e Adolfo tomaram a dianteira e foram em direção ao velho, Leanderson e eu fomos em seguida, para verificar os outros cômodos e dar cobertura e as mulheres ficaram na sala, aguardando e prestando atenção à porta.
O cômodo no qual o velho entrou estava escuro e a porta estava parcialmente fechada. No que Lucas pôs a mão para procurar o interruptor, algo o agarrou com força. Sem pensar duas vezes, Adolfo partiu pra cima, acertando uma coronhada com sua calibre 12 na cabeça de seu antigo vizinho que agora, jazia com a mão agarrada ao braço de Lucas.
Tentei ajudá-lo a se soltar e nesse momento, a companheira do velho surgiu correndo e gritando, enlouquecida em nossa direção. Leanderson e Lucas entraram no quarto. Eu tentei empurrar a mulher para dentro da porta que estava atrás de mim, afinal, eu era o último obstáculo entre a velha possuída e as mulheres na sala.
Quando girei com ela, perdi o equilíbrio e fui arremessado contra a parede. Numa situação normal, eu não teria dificuldades em me soltar da doce velhinha, mas como já falei, não estamos sem situações normais agora e velhinha não tinha nada de doce.
Eu já tinha noção do que iria acontecer, mas pra minha surpresa, Gabriela e Joanna vieram em meu auxílio. Pelo visto, as duas tiveram a mesma idéia de usar o abajur, mas Joanna foi mais forte.
Gabriela soltou o abajur e Joanna o despedaçou na cabeça da velha.
Vasculhamos a casa em busca de outros "possuídos" e coisas que poderiam nos ser úteis.
De repente, começamos a ouvir uma música de um violão. Olhamos pela janela pra descobrir de onde vinha aquele som.
Era do terraço do prédio ao lado. Um homem berrava uma música, que atraiu uma multidão de "zumbis" para aquela região. O homem gritava e xingava os zumbis, desafiava-os a subir e pegá-lo e estava completamente nu, provavelmente bêbado.
Na porta do apartamento, começamos a ouvir batidas e gemidos. O barulho que fizemos quando lutamos com o casal de velhinhos deve tê-los atraído do andar de cima.
Um pouco depois, Nadja entrou pela janela, descendo numa corda improvisada com lençóis.
A essa altura, eu começava a dar mais credibilidade aos filmes. Maletas de agente secreto, zumbis, cordas feitas com lençóis, tudo o que eu só tinha visto nas telas do cinema, estava acontecendo de verdade.
A russa disse que poderia ajudar alguém a subir pela corda improvisada e que seria possível subirmos todos, um a um, mas que levaria um certo tempo. Adolfo quis ficar sozinho no apartamento, por ser o mais pesado e com o discurso de que ele quem havia nos levado para aquela situação caótica.
E enquanto discutíamos o que fazer, sempre com Nadja nos apressando e dizendo que foi idéia do Adolfo ir até lá e que era a vontade dele ficar sozinho, ouvimos um urro assustador vindo da rua.
Quando olhamos, vimos um homem muito grande e forte, furioso. Parecia que ele controlava todos os outros com aquele urro. E então ele nos viu!
Com mais um urro, metade dos zumbis da rua começaram a invadir o prédio do bêbado pelado, que continuava gritando insultos pra baixo e a outra metade, começou a bater na porta do prédio onde estávamos.
Não lembro quem foi que tentou atirar no grandalhão, mas ele se escondeu atrás do carro-forte no qual viemos. Além de controlar os outros, esse babaca ainda é inteligente pra se esconder!
O desespero começou a bater.
Nosso caminho estava bloqueado por zumbis que batiam à nossa porta e, mesmo que conseguíssemos sair, ainda teríamos que nos preocupar com toda aquela multidão lá em baixo.
Como Lucas, Leanderson e eu não iríamos abandonar o Adolfo, resolvemos que Nadja subiria com as mulheres pela corda e que daríamos um jeito de cuidar dos zumbis da porta.
Ao lado, as músicas e xingamentos continuaram por um tempo, mas depois de Nadja ter começado a escalar, a serenata e repúdio do bêbado pelado cessou. Uma estranha coincidência não é mesmo?
Na sala, decidimos que Leanderson abriria a porta, já que ele é o mais rápido de nós, e correria pro lado.
Atrás da porta, Adolfo estaria com seu "trovão"(a arma de calibre 12) e atiraria assim que os zumbis entrassem.
De frente para a porta, numa distância segura, Lucas e eu ficamos lado a lado, com armas em punho, aguardando para atirar caso algum deles resistisse ao tiro de Adolfo e fosse na direção dele.
Leanderson abriu a porta e correu. Dois zumbis entraram e receberam as boas-vindas de Adolfo. Um terceiro, foi atingido por Lucas e nosso caminho estava livre novamente.
Fui para o corredor e ouvi a porta de entrada sendo esmurrada. Ela cederia em breve.
Leanderson passou correndo como uma bala, rumo ao terceiro andar, seguido de Lucas e Adolfo.
Joanna e Gabriela vieram em seguida, a porta lá em baixo estava aberta. Seria questão de tempo até que os zumbis chegassem até nós e nem sinal de Suzanna.
Esperei o máximo que pude, fechei a porta torcendo para que a outra japonesa estivesse subindo pelos lençóis com a Nadja e fui pro terceiro andar.
Quando cheguei, me deparei com a seguinte cena:
Adolfo estava indo em direção à sua esposa, que o aguardava de braços abertos e com um sorriso, Lucas, Leanderson, Joanna e Gabriela observavam com desconfiança.
A mulher de Adolfo falou alguma coisa com ele e parece que todos ficaram aliviados.
E assim que ele a abraçou, as feições dela mudaram! O olhar se tornou agressivo e insano. Ela o agarrou e abriu a boca. Quando seus dentes se aproximavam do pescoço de seu amado, BANG!
Lucas havia acertado um tiro certeiro na cabeça dela, salvando Adolfo que caiu sem reação, em choque.
O barulho na escada nos dizia que os zumbis estavam chegando. Perguntamos pro Adolfo como faríamos pra chegar ao terraço e ele não nos respondeu.
Com um visível grande esforço, ele olho para a varanda e apontou nosso destino, logo depois, voltou a olhar para o corpo do que um dia foi sua esposa.
Cobri o corpo dela com um lençol que tirei do quarto deles e, com a ajuda de Joanna e Lucas, conseguimos arrastar Adolfo até o terraço, passando por uma escada em estado deplorável que Gabriela derrubou para que nenhum daqueles monstros nos seguisse.
No terraço, encontramos Nadja ajudando Suzanna a subir para se juntar a nós e, no terraço ao lado, pudemos ver uma garota de uns vinte anos sentada no parapeito do prédio, balançando os pés e olhando para a rua com toda a calma do mundo em seu vestido preto.
Gabriela arremessou um pregador na garota, que olhou pra gente e sorriu. Até agora não sei por quê diabos ela jogou o pregador na garota. Na verdade, não entendi nada do que ela fez até agora..acho que ela não é muito certa da cabeça.
Nossa única alternativa agora era passar para o outro prédio.
Nadja improvisou uma corda para nos ajudar a passar e foi na frente, correndo por cima da corda, esperando pelo próximo equilibrista.
A distância era curta, cerca de um metro e meio, nada muito difícil. E lá foi Leanderson, passando com tranquilidade e cheio da ginga suburbana.
Todos foram passando, mas Adolfo continuava em choque, ajoelhado no chão, com olhar perdido.
Tentei animá-lo, dei um tapa em seu rosto pra ver se ele "acordava", mas nada surtia efeito. Até que ouvi um grito. Suzanna era a última, antes de Adolfo e eu, a fazer a travessia, mas o estresse e o medo de cair a fizeram travar. Ela ficou parada nas cordas, entre um prédio e outro. Poderia cair a qualquer hora.
Então, relembrei Adolfo do que ele tinha me dito anteriormente. Que havia prometido proteger Suzanna e que agora ela precisava da ajuda dele.
A garota que estava no parapeito do outro terraço também ajudou, falou alguma coisa que fez com que Suzanna continuasse a travessia.
Adolfo parecia ter recobrado a consciência e tirou força sabe-se lá de onde.
Jogou a calibre 12, o revólver Magnum e o colete pro outro lado para reduzir o peso.
Ele se preparou, correu, saltou e...CAIU! Ele bateu com força na parede e não conseguiu se segurar.
Era apenas um metro e meio, mas acho que Adolfo ainda tinha muitas carga emocional que o fizera hesitar por um breve momento, proporcionando o erro.
O homem mais preparado entre todos nós, havia literalmente caído e ainda teremos muitos problemas pela frente.
Ela ficou um pouco tonta, provavelmente por causa do forte cheiro de desinfetante, mas não parecia estar mal.
Apesar da preocupação, resolvemos seguir em frente, rumo ao primeiro andar.
Lá, como Adolfo nos informara anteriormente, moravam um casal de velhinhos.
Sinceramente, eu não tinha intenção nenhuma de salvá-los se estivessem em casa. Eu só queria saber se a porta estava trancada. Se estivessem vivos ou não, não faria diferença. Aliás, acho que só teríamos problemas se eles viessem conosco, com o mundo louco desse jeito.
Giramos a maçaneta e a porta estava destrancada. Entramos na sala e vimos a silhueta de um homem no corredor da casa. Adolfo chamou seu vizinho, mas não houve resposta, ele apenas entrou vagarosamente no cômodo a sua esquerda.
Lucas e Adolfo tomaram a dianteira e foram em direção ao velho, Leanderson e eu fomos em seguida, para verificar os outros cômodos e dar cobertura e as mulheres ficaram na sala, aguardando e prestando atenção à porta.
O cômodo no qual o velho entrou estava escuro e a porta estava parcialmente fechada. No que Lucas pôs a mão para procurar o interruptor, algo o agarrou com força. Sem pensar duas vezes, Adolfo partiu pra cima, acertando uma coronhada com sua calibre 12 na cabeça de seu antigo vizinho que agora, jazia com a mão agarrada ao braço de Lucas.
Tentei ajudá-lo a se soltar e nesse momento, a companheira do velho surgiu correndo e gritando, enlouquecida em nossa direção. Leanderson e Lucas entraram no quarto. Eu tentei empurrar a mulher para dentro da porta que estava atrás de mim, afinal, eu era o último obstáculo entre a velha possuída e as mulheres na sala.
Quando girei com ela, perdi o equilíbrio e fui arremessado contra a parede. Numa situação normal, eu não teria dificuldades em me soltar da doce velhinha, mas como já falei, não estamos sem situações normais agora e velhinha não tinha nada de doce.
Eu já tinha noção do que iria acontecer, mas pra minha surpresa, Gabriela e Joanna vieram em meu auxílio. Pelo visto, as duas tiveram a mesma idéia de usar o abajur, mas Joanna foi mais forte.
Gabriela soltou o abajur e Joanna o despedaçou na cabeça da velha.
Vasculhamos a casa em busca de outros "possuídos" e coisas que poderiam nos ser úteis.
De repente, começamos a ouvir uma música de um violão. Olhamos pela janela pra descobrir de onde vinha aquele som.
Era do terraço do prédio ao lado. Um homem berrava uma música, que atraiu uma multidão de "zumbis" para aquela região. O homem gritava e xingava os zumbis, desafiava-os a subir e pegá-lo e estava completamente nu, provavelmente bêbado.
Na porta do apartamento, começamos a ouvir batidas e gemidos. O barulho que fizemos quando lutamos com o casal de velhinhos deve tê-los atraído do andar de cima.
Um pouco depois, Nadja entrou pela janela, descendo numa corda improvisada com lençóis.
A essa altura, eu começava a dar mais credibilidade aos filmes. Maletas de agente secreto, zumbis, cordas feitas com lençóis, tudo o que eu só tinha visto nas telas do cinema, estava acontecendo de verdade.
A russa disse que poderia ajudar alguém a subir pela corda improvisada e que seria possível subirmos todos, um a um, mas que levaria um certo tempo. Adolfo quis ficar sozinho no apartamento, por ser o mais pesado e com o discurso de que ele quem havia nos levado para aquela situação caótica.
E enquanto discutíamos o que fazer, sempre com Nadja nos apressando e dizendo que foi idéia do Adolfo ir até lá e que era a vontade dele ficar sozinho, ouvimos um urro assustador vindo da rua.
Quando olhamos, vimos um homem muito grande e forte, furioso. Parecia que ele controlava todos os outros com aquele urro. E então ele nos viu!
Com mais um urro, metade dos zumbis da rua começaram a invadir o prédio do bêbado pelado, que continuava gritando insultos pra baixo e a outra metade, começou a bater na porta do prédio onde estávamos.
Não lembro quem foi que tentou atirar no grandalhão, mas ele se escondeu atrás do carro-forte no qual viemos. Além de controlar os outros, esse babaca ainda é inteligente pra se esconder!
O desespero começou a bater.
Nosso caminho estava bloqueado por zumbis que batiam à nossa porta e, mesmo que conseguíssemos sair, ainda teríamos que nos preocupar com toda aquela multidão lá em baixo.
Como Lucas, Leanderson e eu não iríamos abandonar o Adolfo, resolvemos que Nadja subiria com as mulheres pela corda e que daríamos um jeito de cuidar dos zumbis da porta.
Ao lado, as músicas e xingamentos continuaram por um tempo, mas depois de Nadja ter começado a escalar, a serenata e repúdio do bêbado pelado cessou. Uma estranha coincidência não é mesmo?
Na sala, decidimos que Leanderson abriria a porta, já que ele é o mais rápido de nós, e correria pro lado.
Atrás da porta, Adolfo estaria com seu "trovão"(a arma de calibre 12) e atiraria assim que os zumbis entrassem.
De frente para a porta, numa distância segura, Lucas e eu ficamos lado a lado, com armas em punho, aguardando para atirar caso algum deles resistisse ao tiro de Adolfo e fosse na direção dele.
Leanderson abriu a porta e correu. Dois zumbis entraram e receberam as boas-vindas de Adolfo. Um terceiro, foi atingido por Lucas e nosso caminho estava livre novamente.
Fui para o corredor e ouvi a porta de entrada sendo esmurrada. Ela cederia em breve.
Leanderson passou correndo como uma bala, rumo ao terceiro andar, seguido de Lucas e Adolfo.
Joanna e Gabriela vieram em seguida, a porta lá em baixo estava aberta. Seria questão de tempo até que os zumbis chegassem até nós e nem sinal de Suzanna.
Esperei o máximo que pude, fechei a porta torcendo para que a outra japonesa estivesse subindo pelos lençóis com a Nadja e fui pro terceiro andar.
Quando cheguei, me deparei com a seguinte cena:
Adolfo estava indo em direção à sua esposa, que o aguardava de braços abertos e com um sorriso, Lucas, Leanderson, Joanna e Gabriela observavam com desconfiança.
A mulher de Adolfo falou alguma coisa com ele e parece que todos ficaram aliviados.
E assim que ele a abraçou, as feições dela mudaram! O olhar se tornou agressivo e insano. Ela o agarrou e abriu a boca. Quando seus dentes se aproximavam do pescoço de seu amado, BANG!
Lucas havia acertado um tiro certeiro na cabeça dela, salvando Adolfo que caiu sem reação, em choque.
O barulho na escada nos dizia que os zumbis estavam chegando. Perguntamos pro Adolfo como faríamos pra chegar ao terraço e ele não nos respondeu.
Com um visível grande esforço, ele olho para a varanda e apontou nosso destino, logo depois, voltou a olhar para o corpo do que um dia foi sua esposa.
Cobri o corpo dela com um lençol que tirei do quarto deles e, com a ajuda de Joanna e Lucas, conseguimos arrastar Adolfo até o terraço, passando por uma escada em estado deplorável que Gabriela derrubou para que nenhum daqueles monstros nos seguisse.
No terraço, encontramos Nadja ajudando Suzanna a subir para se juntar a nós e, no terraço ao lado, pudemos ver uma garota de uns vinte anos sentada no parapeito do prédio, balançando os pés e olhando para a rua com toda a calma do mundo em seu vestido preto.
Gabriela arremessou um pregador na garota, que olhou pra gente e sorriu. Até agora não sei por quê diabos ela jogou o pregador na garota. Na verdade, não entendi nada do que ela fez até agora..acho que ela não é muito certa da cabeça.
Nossa única alternativa agora era passar para o outro prédio.
Nadja improvisou uma corda para nos ajudar a passar e foi na frente, correndo por cima da corda, esperando pelo próximo equilibrista.
A distância era curta, cerca de um metro e meio, nada muito difícil. E lá foi Leanderson, passando com tranquilidade e cheio da ginga suburbana.
Todos foram passando, mas Adolfo continuava em choque, ajoelhado no chão, com olhar perdido.
Tentei animá-lo, dei um tapa em seu rosto pra ver se ele "acordava", mas nada surtia efeito. Até que ouvi um grito. Suzanna era a última, antes de Adolfo e eu, a fazer a travessia, mas o estresse e o medo de cair a fizeram travar. Ela ficou parada nas cordas, entre um prédio e outro. Poderia cair a qualquer hora.
Então, relembrei Adolfo do que ele tinha me dito anteriormente. Que havia prometido proteger Suzanna e que agora ela precisava da ajuda dele.
A garota que estava no parapeito do outro terraço também ajudou, falou alguma coisa que fez com que Suzanna continuasse a travessia.
Adolfo parecia ter recobrado a consciência e tirou força sabe-se lá de onde.
Jogou a calibre 12, o revólver Magnum e o colete pro outro lado para reduzir o peso.
Ele se preparou, correu, saltou e...CAIU! Ele bateu com força na parede e não conseguiu se segurar.
Era apenas um metro e meio, mas acho que Adolfo ainda tinha muitas carga emocional que o fizera hesitar por um breve momento, proporcionando o erro.
O homem mais preparado entre todos nós, havia literalmente caído e ainda teremos muitos problemas pela frente.
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