quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Primeiro Dia do Fim do Mundo - Parte 7

Pouco tempo depois de nos reorganizarmos, ouvimos um carro subindo a rua. Era o carro-forte do Adolfo, com furos de todos os lados e com um pneu furado.
Leanderson e Lucas estavam de volta, para o alívio de todos nós.
Nos sentamos pra conversar e decidir o que faríamos em seguida e então, Papi - pois é, o gordinho suado se chama PAPI! hahahahahahahahaha - disse que ia pra casa, ver sua família.
De imediato, dissemos que não íamos com ele, que era loucura e que acabamos de passar por uma situação parecida, mas o cara parece não entender que as coisas mudaram.
Contamos tudo o que nos aconteceu nas últimas 10 ou 12 horas, sei lá quanto tempo, mas ele insistia em ir ver a família e insistia para que fôssemos com ele, do contrário não arrumaria nossos carros.

E então, quando desejamos sorte a ele em sua missão suicida, o malandro simplesmente sai andando pela rua, revistando os nossos carros.
Fui atrás dele para tentar convencê-lo de que era loucura e para me certificar de que ele não ia fazer nenhuma merda nos carros - por pior que seja o estado deles, talvez ainda pudéssemos usá-los.
Aí ele começou a bater boca comigo, mais uma vez, como se fosse o dono da verdade, o senhor da situação e o rei do novo mundo. Aquilo me irritou e tentei acertá-lo com uma coronhada, mas acabei errando e me desequilibrando e ele conseguiu me acertar com a maleta de ferramentas.

Não sei o que houve enquanto estive desacordado, mas assim que despertei, o gordinho suado estava amarrado no chão da casa. Aquele escroto me tirou um dente com a maleta de ferramentas. Ele não faz ideia de com quem está se metendo. Na prisão, vi muito herói "acordar" morto.
Mas agora tenho que fazer jus ao apelido que me deram antigamente. Não posso deixar a raiva me distrair, mas com certeza não vou esquecer o que esse puto me fez.

Voltamos a nos preocupar com nosso destino e se levaríamos o Papi conosco ou o deixaríamos apodrecer no porão.
Apesar de eu insistir que não devemos confiar nele, o pessoal concluiu de que ele seria mais um pra nos ajudar e o desamarraram na condição de que não fizesse mais nenhuma besteira.
Enquanto estive desacordado, um dos caras encontrou a maleta prateada que a Nadja havia levado para a festa.
Havíamos concordado em ir para o Centro da cidade, fazendo uma parada num supermercado para podermos comer, mas ao invés de seguirmos, começou uma discussão sobre se deveríamos ou não abrir a maleta.
Se dependesse de mim, eu jogaria essa maleta o mais longe possível. Os militares estão atrás dela e, pelo que sabemos, ela tem um GPS.
Ainda assim, meus companheiros insistiam que devia ter algo ali dentro que seria útil.
O fato de o Papi ter dito que o cara que o chamou para arrumar seu carro, era o defunto que eles encontraram segurando a maleta, me deu mais um motivo pra não querer essa coisa perto de mim.

Eles resolveram abrir a maleta. Eu disse que poderia conter algo ruim, talvez o vírus que ocasionou esse caos todo e lembrei que o ditado diz que: "a curiosidade matou o gato".
Um gato tem sete vidas e a curiosidade o matou, mas parecia que eles não se importavam com isso...enquanto digitavam os números da senha para abrí-la, segui em direção à travessia, rumo ao supermercado.

Tinha um celular que tocou assim que a maleta foi aberta. Lucas disse que a pessoa com quem ele falou ao celular, nos instruiu a irmos ao Banco do Brasil no centro, que lá era um local seguro.
Mas antes de podermos decidir se íamos ou não confiar no cara do telefone, nos deparamos com o primo de David. Aquele que acolhemos na noite anterior e que, por estar eufórico e ferido, o pessoal insistiu para que fosse embora.
Ele estava completamente diferente, tinha um olhar insano e cruel e se curvou para a frente com as mãos - ou garras - arrastando no chão, uivando e correndo em nossa direção.
Voltamos correndo para o terraço da casa de Samara. Fechamos a porta e aguardamos para ver se ele tentaria arrombá-la.
E então, percebemos que Leanderson não estava com a gente.

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