domingo, 19 de fevereiro de 2012

01/01/2012 - O Primeiro Dia do Fim do Mundo - Parte 2

Era apenas um gato revirando lixo...mas atualmente, ser precavido pode fazer a diferença entre continuar vivo ou morrer.

Continuando de onde havia parado.
Depois que o moleque foi embora, resolvemos nos preparar, caso precisássemos lutar por nossas vidas. Era meia-noite e os fogos de artifício, tão comuns nesse momento, não foram ouvidos. Ainda não sei o que me levou a ter essa idéia, mas peguei os que David havia comprado para nossa comemoração...de alguma forma, pensei que poderiam ser úteis.
Uma vez mais, ouvimos barulho vindo do portão. Dessa vez, eram os militares. Impacientes, queriam que abríssemos o portão para que entrassem, mas já havíamos visto, alguns momentos antes, os mesmos militares, invadindo a casa em frente e separando uma garotinha de sua família. Por quê eles fariam isso? O que eles queriam de nós?
Não abrimos o portão. Pelo interfone, dissemos que não sabíamos como abrir o portão e que o dono da casa não se encontrava. Eles insistiram e ordenaram ao guarda da guarita(um rapaz manco e completamente inapto para o trabalho) que abrisse o portão. Conseguimos convencê-lo, através de uma comunicação da linha interna do condomínio, a confirmar nossa versão de que não seria possível abrir o portão sem que David estivesse no local.
Quando parecia que eles arrombariam o portão para invadir a casa, ouvimos gritos histéricos. Gritos estes, que também despertaram a atenção dos militares.
Uma vez mais, nos sentimos seguros. Como somos tolos não é verdade?
Quando os barulhos cessaram, olhamos as imagens do circuito de segurança, mas a única coisa que vimos, foi o guarda da guarita caído, provavelmente ferido. Tentamos contato com ele, mas parecia que ele não conseguia articular palavras.
Alguns de nós tentaram buscar seus pertences nos carros, mas ainda na garagem, foram surpreendidos por Nadja, a russa loira, que agora trajava uma roupa diferente da que estava anteriormente, e apontava uma arma para eles. Da janela do segundo andar, não consegui entender o motivo que a levou a tomar essa atitude, mas não ia esperar até que ela apontasse a arma pra minha cabeça, para perguntar.
Como havíamos pensado, a maleta tinha alguma coisa de importante e ela voltou para buscá-la. Nunca gostei de armas de fogo. Elas dão uma falsa sensação de poder e segurança e, graças a isso, eu sabia que Nadja não conseguiria manter os olhos em todos ao mesmo tempo. Éramos cinco pessoas na casa quando nos conhecemos, mas o caos que havia tomado conta da cidade e o fato de que ela se sentia segura por estar armada contra civis, fez com que ela não sentisse minha falta. Assim que ela passou pela escada, desci silenciosamente por trás dela e consegui desarmá-la com um chute.
Agora, éramos nós que possuíamos a arma hahahahahahaha. Grande coisa! Nenhum de nós sabia como usá-la. Mas eu não podia deixar isso transparecer e sabia que as pessoas ali não confiavam umas nas outras. Também percebi que, principalmente as mulheres, não haviam gostado de mim, desde o início. Mas até que foi fácil convencê-los a deixar a arma comigo.

Mesmo com a arma apontada para sua cabeça, Nadja não nos contou muita coisa sobre o que estava acontecendo. Disse apenas que a maleta continha um tipo de vacina para vacas e que devia entregá-la para alguém. Resolvemos que iríamos com ela até o local combinado para entregar a maleta e que depois resolveríamos o que fazer.
Quando estávamos chegando perto dos carros, estacionados ao lado de fora da casa, percebemos o guarda da guarita vindo em nossa direção. Cambaleando e emitindo sons estranhos, ele parecia bastante ferido, mas não parecia nos reconhecer.
Foi aí que vimos uma cena assustadora. Uma mulher, a mesma que havia perdido a filha para os militares, estava do outro lado da rua, com muito sangue saindo de sua boca e o mesmo olhar perdido que o guarda.
Ela gritou ou sei lá o que era aquilo e partiu correndo em nossa direção, como se fosse nos atacar. Para minha surpresa, Gabriela empunhou uma das facas que havia pego e partiu pra cima da mulher.
Gabriela errou a facada, a mulher a agarrou pelos braços e acho que ia mordê-la...não sei o que ela ia fazer, mas não consegui esperar. Eu estava com a arma de Nadja e por impulso, atirei.
Não pensei que fosse tão fácil estourar a cabeça de alguém, mas acho que numa situação dessas, o instinto de sobrevivência fala mais alto.
A arma tem silenciador, mas acho que o grito que a mulher deu atraiu outros gritos vindos de dentro da casa dela. Voltamos correndo para dentro da casa, trancamos o portão, mas um homem conseguiu entrar e ficou batendo na porta. Ele parecia normal e inconsciente ao mesmo tempo. Um homem e um garoto saíram correndo e gritando, da casa em frente. Agarraram o portão como e o chacoalhavam como se fossem destruí-lo a qualquer momento.

Estávamos novamente presos dentro de casa. Enquanto todos tentavam pensar numa maneira de se livrar do homem que batia à porta e sobre o que fazer com os outros dois no portão, fui pro andar de cima. Pensei que, se o grito da mulher que matei foi o que atraiu os outros que estavam no portão, então pode ser que, talvez, um barulho em outro lugar os atraísse.
Peguei os fogos de artifício e apontei para a casa de onde saíram, torcendo para que minha teoria se confirmasse.
Eles partiram e culminaram num belo espetáculo de cores e sons, mas o melhor do show foi que a dupla do portão também se interessou por ele.
Não tínhamos muito tempo até que os dois perdessem o interesse pelos fogos, então corremos em direção aos carros, um por um, fazendo o mínimo de barulho possível, já que esse é um dos fatores que atrai esses loucos...ou zumbis, seja lá como você queira chamá-los. Ainda não acredito que sejam zumbis. Seus corpos não estão se decompondo e alguns deles, como a família do outro lado da rua, correm! Eu nunca vi zumbis correndo nos filmes!
Quando quase todos nós estávamos no carro, o Doblò do Lucas, vimos uma cena assustadora. Um grupo imenso com esses "zumbis" vinha em nossa direção. Joanna estava saindo da casa de David e não acho que seria rápida o suficiente para chegar no carro antes que eles a alcançassem. E os dois que foram atraídos pelos fogos já voltavam sua atenção para nós de novo.
Foi quando Leanderson saltou do carro e disse para nos encontrarmos do outro lado do condomínio. Então ele gritou alguma coisa e saiu correndo em direção à cerca viva que circunda o condomínio. Apesar de acreditar que,  foi uma completa loucura, uma atitude suicida e impensada, admito que a idéia de Leanderson foi bem efetiva. O "rebanho de zumbis" começou a seguí-lo, alguns correndo, outros caminhando e cambaleando. Graças a isso, Joanna conseguiu chegar em segurança no carro e demos a partida, esperando encontrar Leanderson vivo, onde ele havia nos dito para esperá-lo...

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