terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

01/01/2012 - O Primeiro Dia do Fim do Mundo - Parte 4

Antes de seguirmos para nosso novo destino, achamos necessário explicar à Nadja o que estava acontecendo e pra onde iríamos, afinal, ela está com o carro de Lucas.
De início ela reluta com a idéia, acha loucura e tenta nos convencer a deixarmos Adolfo para trás. "É uma má idéia!", "A essa hora, a esposa dele já está morta, ou coisa pior" - ela diz.
Mas Adolfo está decidido a salvar sua esposa. Seja trazendo a sem segurança conosco, ou dando lhe o merecido descanso.
E com certeza, não sou o único do grupo a achar que ele pode ser de grande ajuda. É um cara forte, determinado e apesar de os outros acharem que eu saiba usar uma arma, devido a meu tiro de sorte que salvou Gabriela, ele é o único que realmente tem a manha do negócio. E acho que nem preciso mencionar o carro-forte!
Sendo voto vencido, Nadja resolve nos acompanhar(acho que não teve muita escolha) com a condição de ter sua arma de volta. Eu disse que seria bom que alguém fosse no Doblò com ela para evitar que novamente, a perdêssemos de vista. Lucas se ofereceu para ir com ela e acho que entrou em acordo para ter seu carro de volta, devolvendo-lhe a arma.
Partimos para a Química torcendo para que encontrássemos a esposa de Adolfo viva e normal e que pudéssemos pegar alguns mantimentos da casa dele. Não sei se conseguiríamos dormir depois de tudo o que aconteceu, mas droga...se o local fosse seguro, com certeza eu gostaria de tomar um banho e deitar num colchão ou num sofá por algumas horas!

Algum tempo depois,chegamos em nosso destino. Um prédio modesto, de três andares e próximo ao Parque de Exposições da cidade.
Estacionamos os carros perto da porta de entrada, preparados para uma fuga rápida, caso fosse necessário.
Antes de entrar, pedimos para que Adolfo nos explicasse como eram os andares, as escadas, quantas pessoas moravam lá dentro e se havia outra saída além da porta à nossa frente.
"São três andares, mais o terraço. Um apartamento por andar. Aqui no térreo tem o hall de entrada e uma sala onde funciona a lavanderia.  A escada não é muito larga, mas podemos subir em duplas, sem problemas. No primeiro andar mora um casal de idosos. São tranquilos e muito gente boa, espero que estejam bem. No segundo andar mora uma família. E no terceiro, só eu e minha esposa." - disse ele.
Um apartamento por andar, um casal de idosos, uma família e um casal de meia-idade. Há 10 anos atrás, eu poderia entrar e sair desse lugar tranquilamente. Seria como roubar doce de criança...mas os tempos mudaram e as pessoas mudaram...algumas, pra coisa muito pior!

Não sei o que diabos aquela russa estava pensando, mas ela passou uma pasta preta na cara...e o Lucas também passou. Como se ter a cara preta fosse ajudar de alguma forma pfff. Se fosse assim o Adolfo não teria problemas em trazer sua esposa.
Ok, isto pode ter soado meio racista,  mas o cara é negro e nem por isso os zumbis, demônios, ou o que forem, deixaram de ir atrás dele no supermercado! Não vai ser por causa de uma maquiagem que ficaremos a salvo, tenho certeza! Aliás, não tenho! Até agora, nós só sabemos que eles são atraídos pelo barulho.
Enfim, nesse momento Joanna me chamou pra longe do grupo, ela estava preocupada com o fato de Suzana estar nervosa demais, o que poderia fazer com que ela, inconscientemente, causasse algum problema, mesmo tentando ajudar.
Admito que eu também estava preocupado com isso. E é claro, também não havia esquecido que a maluca havia apontado uma Magnum pro meu saco!
Conversei separadamente com Adolfo e apesar de o resto do grupo ficar desconfiado com tantos "segredinhos", ele era o único que poderia convencer Suzana a entregar a arma, ou ficar no carro enquanto nós estivéssemos no prédio. Ele conversou com ela, uma vez mais olhares desconfiados foram trocados. Aliás, acho que a única que não desconfia de mim é a Joanna...
Suzana entregou a arma para Adolfo, mas como todos já esperavam, se recusou a esperar no carro então, entramos no prédio. Exceto Nadja, que foi procurar uma maneira de entrar pelo terraço.
Não me importei. Ela já mostrou que consegue se virar e iria acabar sumindo de nossas vistas alguma hora.

Enquanto fechávamos a porta, vimos um homem correndo rua abaixo em nossa direção. Não esperamos pra ver seu estado, nem se ele nos havia visto, só fechamos a porta e aguardamos silenciosamente. O homem continuou correndo em direção à linha férrea, ao que parece, não nos notou.
Acendemos as luzes já que o primeiro raiar do Sol de 2012 ainda levaria algumas horas. A nossa frente as escadas para o primeiro andar, ao lado, o balcão do zelador e atrás dele, as portas da lavanderia.
Todos concordamos que deveríamos verificar todas as portas. No caso de estarem fechadas, seguiríamos em direção ao apartamento do Adolfo. Do contrário, entraríamos em busca de sobreviventes e utensílios que pudessem nos ajudar, além é claro, de garantir que nada subisse atrás de nós e nos pegasse de surpresa.
Lucas se antecipou e foi em direção ao balcão. Fui com ele, dando algumas dicas para que fizesse menos barulho e se movimentasse corretamente, para não chamar atenção de ninguém que pudesse estar por ali. Nada atrás do balcão, seguimos para uma das duas portas atrás dele. A primeira que abrimos era um depósito. Só encontramos uma cadeira de madeira velha, da qual tirei os quatro pés para fazer pequenos "cacetetes" e algumas folhas de papel e canetas. Peguei  as folhas e uma caneta, podem ser úteis no futuro.

A porta era como a de um Saloon de filmes de faroeste, então, assim que o último de nós entrou, ela se fechou atrás de nós. Os únicos que não entraram foram: Leanderson e Joanna.
Assim que Adolfo acendeu a luz nos deparamos com um jovem rapaz ao lado de Gabriela e uma senhora próxima a duas tábuas de passar roupas.
Atrás da senhora, uma caçamba de roupas sujas e ao nosso redor, armários e máquinas de lavar industriais.
E então tudo aconteceu ao mesmo tempo! O garoto gritou enfurecido! Gabriela correu pra cima dele(de novo!) Eu corri em direção às tábuas e, por sorte elas não estavam chumbadas ao chão.
Peguei uma das tábuas pelos pés e pressionei a senhora zumbi contra a caçamba de modo que ela não conseguia esticar seus braços pra tentar me agarrar.
Num piscar de olhos, Adolfo deu uma coronhada com a calibre 12 na cabeça do garoto que, instantaneamente foi acho chão e, ao mesmo tempo, surgem na lavanderia Leanderson e Joanna.
Com a faca em punho, Leanderson veio em meu auxílio e cortou a garganta da mulher, que caiu segurando o pescoço tentando se agarrar à vida, ou ao que restara dela.
Uma vez mais, a sorte estava do nosso lado e todos saíram bem. Suzana estava encolhida, tremendo entre duas máquinas de lavar.
Pensei que Joanna estaria acostumada a ver cenas desse tipo, já que ela estava quase se formando em Medicina, mas como eu disse, as coisas mudaram. Ela não aguentou e vomitou, mas logo se recompôs.
E então, quando tudo estava se acalmando, Gabriela nos chamou.
Acariciando o lado esquerdo do rosto(o qual eu me lembrava, havia respingado sangue quando estourei a cabeça do primeiro zumbi, no condomínio de David) ela nos disse:
"Meu rosto está ficando dormente..."

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