domingo, 12 de fevereiro de 2012

31/12/2011 - O Primeiro Dia do Fim do Mundo. Parte 1

Manhã de sábado - Hoje é o grande dia!
Em algumas horas, sentirei uma vez mais, o delicioso sabor da liberdade!
Quando se fica preso por muito tempo, você sente falta até mesmo daquilo que antes era um incômodo. Quero sentir uma vez mais a chuva caindo sobre meu corpo, o vento bagunçando meus cabelos(assim que crescerem de novo), o Sol aquecendo minha pele! Quero poder olhar as pessoas nos olhos, ver rostos diferentes! Ouvir vozes diferentes!
Saber que tudo isso me aguarda lá fora, me devolve o ânimo que os anos se esforçaram para extinguir.
A primeira coisa que pensei ao acordar, foram as palavras de David: "Anime-se Adrian! O último dia do ano será o primeiro de sua nova vida!". Acho que ele nem percebeu a ironia, mas realmente, isso me animou bastante.

Madrugada de Domingo - As coisas não estão saindo como eu esperava! O mundo mudou enquanto estive preso, mas mudou pra pior! Ainda não acredito no que está acontecendo...as pessoas estão enlouquecendo!
Vou tentar resumir os últimos acontecimentos enquanto estamos "seguros".

Por volta de 18 horas, David me buscou na prisão. Ele não parecia mais aquele garotinho indefeso da escola. Agora, exalava a confiança e austeridade que um médico do porte dele possui.
Quando chegamos em sua mansão, ou "humilde moradia" como ele diz, a festa já havia começado. Ele me apresentou aos outros convidados que já haviam chegado.
Devo dizer que não fiquei surpreso em ver a diversidade existente no círculo de amizades dele, afinal, se a vida seguisse seu curso normal, eu jamais o teria conhecido.
Era perfeitamente plausível que uma festa promovida por David em sua casa, reunisse ao mesmo tempo uma estudante de medicina, um nerd, uma garota maluca, um funkeiro e um ex-presidiário hehehehehe. Eu só não esperava a loira russa que sequer nos notou enquanto conversava ao telefone.
Aliás, acho que David tinha algum interesse nela já que, na primeira oportunidade, se mandou pro "supermercado" pra comprar algumas coisas que estavam faltando pra festa.
Foi só quando eles saíram, que a estagiária de David, Joana, percebeu que a russa havia esquecido sua maleta de aço que possuía uma luz azul piscando.
Com a notícia de que o exército estava nas ruas e que um golpe militar era iminente, a preocupação sobre o conteúdo da maleta fez com que todos na sala começassem a elaborar teorias diversas.
A garota maluca, Gabriela queria abrir a maleta de qualquer jeito, mas sem saber como. Ela e Joana olharam para Lucas, o nerd que leva um computador para uma festa de ano novo. O único que não parecia se preocupar com a maleta, mais que com a carne tostando na churrasqueira, era Leanderson.
Aliás, fico meio incomodado com sua presença. Ele poderia ser uma versão minha, caso não tivesse a sorte de ter sido escolhido pelos pais de David pra ganhar aquela bolsa escolar.

O bom senso parece ter batido na cabeça de todos na sala e resolvemos ligar para David, e avisá-lo sobre a maleta e perguntar como deveríamos proceder. Ele disse que, segundo Nadja(a russa), não havia nada de importante na maleta e que ela voltaria em breve para buscá-la.
Nesse ínterim as coisas começaram a ficar estranhas...a TV saiu do ar, não era possível sintonizar nenhuma estação de rádio e os telefones estavam mudos.
E foi aí que tudo desandou de vez! Começamos a ouvir barulhos de helicópteros e pouco tempo depois, pessoas gritando nas proximidades.
O rádio voltava aos poucos, com mensagens cortadas que pouco informavam, eram repetidas à exaustão. A única coisa que conseguíamos ouvir era: "Mantenham-se em suas casas".

Percebemos através do sinal do rádio, uma mensagem codificada. Código Morse. Lucas conseguiu decifrá-la, mas não revelou todo o conteúdo da mensagem para nós. Apenas repetiu o que já havíamos ouvido no rádio.
E então, a mensagem que eu já ouvira em filmes e nunca esperava ouvir na vida real, surgiu novamente no rádio: "Cuidado! Mantenham-se em suas casas...sendo atacados....zumbis por toda a parte!"

Zumbis!? Aqueles mortos-vivos que querem comer nossos cérebros? Zumbis!? hahahahahahaha
Foi aí que ouvimos um barulho no portão. O desespero tomou conta da gente. Joana disse que poderiam ser os militares atrás da maleta que Nadja havia, supostamente, esquecido. Com medo de qualquer coisa que os militares pudessem fazer conosco, Gabriela escondeu a maleta no congelador....até agora não entendi o que ela quis fazer com isso.
Batidas na porta e gritos de "Daivid, abra a porta! Daivid, abra a porta!" foram suficientes para sabermos não se tratar dos militares, mas a esse ponto, não era possível confiar em ninguém que viesse de fora.
Ele estava frenético...se fosse em qualquer outra situação, eu diria que o garoto havia cheirado o próprio peso em cocaína! Saiu correndo assustado para o andar de cima e escondeu-se embaixo da cama.
Tentamos acalmá-lo, mas ele não confiava na gente. Leanderson tentou tirá-lo debaixo da cama, mas era afastado pelos chutes que o garoto desferia.
Levantamos a cama e Leanderson conseguiu segurá-lo à força, mas ele não prestava atenção ao que dizíamos e não parava de se debater.
Fui obrigado a dar um calmante pra ele...ok...dei um tapa na cara dele pra ser sincero. Mas funcionou.
Joana notou que ele estava ferido, o que não era uma boa notícia para uma possível situação envolvendo ataques de zumbis e exércitos na rua.
Após ter seu ferimento tratado e o aval de Joana, ainda que sem muita certeza, de que ele não ofereceria perigo, ele nos contou que fugiu para a casa de David porque haviam pessoas brigando na rua e que os militares estavam batendo em todo mundo, tentando tomar o controle da situação.
Leanderson, Lucas e Gabriela estavam incomodados com a presença dele e exigiram que fosse embora. Joana e eu, tentamos argumentar, dizendo que não seria seguro para ele sair sozinho na rua de novo, com todo o caos acontecendo bem perto de nossa porta, mas eles estavam irredutíveis e, ao que parece, o moleque estava assustado demais com a gente e resolveu que era mais seguro voltar pra rua.

Ouvi um barulho aqui perto, vou verificar como todos estão e com sorte, volto a escrever de onde parei...

2 comentários:

  1. Eu empobreci um pouco mais e chamei o David de Deivid no meu blog! xD
    E eu não sou maluca seu skinhead esquisito! ahuishiuahsia

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  2. E eu não sou skinhead, sua maluca! uhahuahuahuahuahua

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